Frente ao sombrio… que há você

Ninguém se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas tornando a escuridão consciente. – Carl Gustav Jung
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A disputa entre luz e sombra é tão antiga quanto a existência do ser humano. Desde as batalhas religiosas entre as forças trevosas e luminosas até as batalhas internas, o ser humano vem travando incontáveis disputas internas entre o bem e o mal em suas infinitas manifestações humanas. Neste ínterim, o que é a sombra? O que torna a sombra algo tão temida e misteriosa?

Em 1945, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung deu a definição mais direta e clara sobre a sombra: “a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser”. Sim, simples assim. E é justamente a sombra que nos faz humano.

Muitas correntes religiosas e místicas negam o poderio da sombra, contudo, a sombra enquanto força psíquica e viva se torna mais forte quanto mais é negada. Assumir a sombra não é assumir supertições, mitos e fantasias, muito menos tornar-se agressivo e irredutivelmente feroz frente ao dia-a-dia.

Todos carregamos uma sombra em nosso interior, e quanto menos ela está incorporada em nossa vida consciente, mais negra e densa ela é. Se um sentimento de inferioridade é consciente, sempre se tem uma oportunidade de corrigi-lo.

Há algum tempo, conheci uma pessoa que sempre se dizia vítima de magia negra. O interessante é que o vitimismo da magia (realidade modificada, transmutação da realidade) negra (sombria), acontecia justamente quando temas referentes à sua própria personalidade “inferior” (entendamos que refere-se aos aspectos não integrados) emergiam trazidas por terceiros, ou seja, sentimentos negados, rejeições mal trabalhadas, questões ligadas a poder mal assimiladas.

Isso é uma mostra clássica do que a falta de conhecimento e compaixão por si mesmo e por suas próprias fraquezas pode fazer conosco. Quando negamos nosso lado sombrio nos tornamos vítimas de nós mesmos, onde somos “magos negros” de nossa própria realidade.

Um antigo místico certa vez afirmou: “é da ignorância e só da ignorância que o homem deve se libertar.”

As supertições alimentaram no homem os medos que já existiam dentro de si mesmo. Porque algumas pessoas são sempre vítimas? Porque as histórias se repetem? É simples: porque há um aprendizado em relação a si mesmo que não foi assimilado. As pessoas são como peças num jogo de xadrez, elas só cumprem funções, não é pessoal, é cósmico, as Leis têm que se cumprir. Não importa o que elas pensam, como agem ou o que façam. Porque é como elas mexem com você que determinará o aprendizado que você tem com elas.

A vida, como expressão simbólica e subjetiva, nos oferece oportunidade de crescimento e transformação constante. Recursar-se a integrar os aspectos dilacerados de si mesmo, é uma questão que diz respeito somente a você, mas este aspectos sempre virão nos visitar a noite, nos sonhos, nas doenças, nos conflitos, em nossas crenças do espiritual, etc.

O universo é mutante assim como nós. E não precisamos ficar presos a idéias e conceitos, frustrações e rejeições do passado. Mas, o primeiro passo é aceita-los como fazendo parte de nós. O Amor fará o trabalho final.

Jung ainda afirmava que o Amor faz a ponte entre a Luz e as Trevas. Só o Amor integrará o ser humano em um ser divino. Permita-se entender a sua vida e romper com suas limitações.

Por Nelson Matheus.

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