O que esperar das terapias holísticas?

Em pleno século 21, vemos cada vez mais pessoas buscando alternativas com a finalidade de ter mais qualidade de vida, para tratar questões psicológicas e físicas. A cada dia, percebo que a área holística ganha mais espaço e maior visibilidade social e chega o momento em que é preciso dar uma pausa e pensar o que esperar desse movimento e como os terapeutas podem se beneficiar de um trabalho sistemático e tradicional, na construção de uma ética.

Observo que, nesses últimos mais de 10 anos trabalhando e estudando as terapias holísticas, houve mudanças na compreensão das pessoas que buscavam este aprendizado, das que buscavam estes tratamentos e em minha própria visão. Tive a felicidade de encontrar pessoas maravilhosas em meus treinamentos, professores que fizeram uma grande diferença, trouxeram seriedade, estrutura para algo que, ainda hoje, é tão frágil e pouco organizado, como são as Terapias Holísticas.

O Reiki, por exemplo, é uma prática terapêutica energética e corporal que utiliza a manipulação do “Ki” (energia vital) com a finalidade de restabelecer a saúde física e mental. No Reiki, a cura espiritual é uma consequência inevitável. Contudo, demorei muito para ter esta simples compreensão, e o caminho foi complexo e com muito investimento de tempo e de dinheiro.

Incialmente, realizei cursos de Reiki em Pernambuco mesmo, na linhagem Usui Tradicional, com professoras com muita vontade de ensinar. Após quase 5 anos de prática diária de Reiki, em mim mesmo e em clientes, recebi o mestrado em Reiki. Inquieto, busquei mais e conheci a linhagem Usui Tradicional e Tibetana e o Karuna Reiki. Senti que muitas das respostas internas e externas estavam sendo fechadas.

Durante anos ensinei e ainda ensino o Reiki segundo essas minhas experiências. Mas, o ofício de professor exige sempre atualização e me senti inclinado a não parar e conheci o Jikiden Reiki. Esta linhagem Reiki é uma escola puramente japonesa. Eles respeitam o Reiki que se desenvolveu no Ocidente, mas há uma certa dificuldade de continuar a trabalhar da mesma forma quando, depois de ter aula com um japonês que não fala outra língua, o Tadao Yamaguchi, você passa a entender toda a estrutura do Reiki, o que o sustenta, a origem dos símbolos e dos nomes dos símbolos, como e quando usar! Nossa! Foi de fato um choque sensacional! Até a presente data, não há outra pessoa iniciada em Jikiden em Pernambuco, talvez até no Nordeste, não posso afirmar.

Essa busca por estrutura, por algo mais sólido e seguro me seguiu no Magnified Healing, quando passei a ser treinado pela Giséle King, fundadora do sistema, no Seichim e no ALL-LOVE, ao passar por aprendizados e vivências com o Patrick Zeigler, criador de ambos os trabalhos, com a Terapia Floral, etc.

Sinto que existe uma urgência de que esses conhecimentos sejam passados para pessoas que sintam uma inclinação natural ao trabalho com pessoas, com o ser integral, com energia, com espiritualidade. Contudo, urgência não é pressa, não é rapidez, porque isto resulta sempre em algo imperfeito, inacabado, não estruturado, não sólido.

Infelizmente, é isso que vem acontecendo. As práticas holísticas estão sendo utilizadas, muitas vezes, de forma irresponsável por aqueles sem nenhum preparo. Certa vez escutei: “basta ter boa vontade”. Isto é essencial, mas é só a boa vontade. Tem que ter técnica e estrutura, e isso só acontece numa formação sólida e através de uma boa experiência de trabalho pessoal, ou seja, você passando pela terapia.

Sim! Terapeuta tem que fazer Terapia. Saiamos da fantasia narcísica de que somos completos e que nos bastamos. Não. Terapeuta bom não para nunca de estudar, de se aperfeiçoar, realiza supervisão com um Terapeuta mais experiente e faz terapia nos métodos que ele utiliza.

Gostaria de ser mais otimista, mas não sei se é positivo a expansão desregrada das terapias holísticas no Brasil. Vejo as pessoas transferindo suas superstições à experiências pessoas, íntimas, acreditando serem grandes revelações para a sociedade, para o outro, quando, na maioria das vezes, relata o seu próprio mundo interno.

Percebo uma grande maioria de Terapeutas se escondendo por trás de uma máscara de “bondade e imensa aceitação” até o cliente tocar num ponto que ativa o preconceito ou o humano ali dentro. E isto é natural, mas precisa ser olhado com um certo cuidado e atenção.

Me decepciona observar a posição radical que os terapeutas adotam sobre espiritualidade, alimentação vegetariana, comunicações espirituais. A maior parte das sessões terapêuticas se tornaram verdadeiras sessões pedagógicas, onde, ao invés de entrar em contato consigo mesmo, o cliente entra em contato com as verdade do terapeuta. É uma Pena!

Além disso, é chocante ver que a ansiedade não é só dos clientes; os terapeutas são tão ansiosos quanto. Me parece que existe uma pressa na famosa “cura”, no ajuste. Algumas pessoas, de fato, tem ritmos mais rápidos, mas há aquelas que não tem. Existe também uma questão de momento, algumas vezez há a necessidade de sermos mais lentos e em outros sermos mais ágeis.

Mas, como um Terapeuta pouco estruturado poderá acessar essa gama de conteúdos? Como o Terapeuta irá cuidar do outro se parece que sua prática esconde questões importantes que ele não consegue olhar em sua própria vida? Indo por este caminho, qual será o futuro das Terapias Holísticas no Brasil? O que esperar dessas práticas?

Talvez agora fique claro porque os profissionais da área de saúde olham com reserva para esta modalidade terapêutica. Certa vez, escutei de um Terapeuta holístico, Psicanalista, Mestre em Medicina Chinesa, Doutor em Psicologia Oriental: “Estudem Terapeutas! Preparem-se! Façam-se ser vistos!”.

É isso.

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