Sexualidade, Politica e Psicologia. O Brasil está em crise.

Já imaginou um exorcista atuando em um paciente esquizofrênico? E um paciente com haseníase sendo jogado à fogueira por ter uma doença que levaria à morte? Antes de Freud, a histeria era vista como um distúrbio fisiológico e não psíquico. E Galileu, que quase foi para à fogueira porque disse que a Terra era redonda? Quantas mulheres foram mortas e acusadas de bruxaria por quererem ter direito à sua sexualidade ou questionavam a arbitrariedade da época? E o Nazismo, que dizimou os judeus e os homossexuais na Alemanha com a desculpa de purificar a raça? Isso tudo nos parece absurdo hoje; e os exemplos são inúmeros.

Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia instituiu uma resolução (01/99) em que é determinado, perante a Psicologia (do Brasil), que a homossexualidade não seria mais vista como doença, mas como uma orientação ou identidade sexual relacionada ao gênero.

O atual presidente da Comissão dos Direitos Humanos (ano de 2013), o deputado federal Marcos Feliciano, quer derrubar esta medida alegando que o Conselho Federal de Psicologia desautorizou a prática livre do profissional de Psicologia.

Porém, a simples reflexão nos levaria a pensar sobre este tema de liberdade ao se tratar de uma profissão. A Psicologia, como todas as ciências de saúde no Brasil, é uma profissão regida por um Conselho e/ou Sindicatos regulamentados por Lei. A ideia de uma liberdade profissional ultrapassa a conjuntura ética e política por trás de toda e qualquer profissão, que impõe aos seus profissionais uma série de regras e medidas do que deve, pode ou não ser feito.

A convicção pessoal e/ou religiosa que o indivíduo traz em si determina, obviamente, a sua visão do mundo e no mundo, incluindo o ser individual. Contudo, faz-se necessário haver uma dissociação na relação eu-outro, afim de que o trabalho psicológico possa ser feito com efetividade.

A demanda de sofrimento psíquico, seja por uma sexualidade não aceita (auto ou heterosocial), seja por um conflito relacionado por lutos, perdas, depressão, angústia… é o sofrimento e o lidar com ele que se processará no âmbito do trabalho clínico. A identidade sexual, quando não formada e estruturada saudavelmente, poderá ser melhor explorada, sempre da perspectiva do sujeito queixante, independente do direcionamento do aspecto libidinoso de sua energia psíquica.

A Psicologia é uma atividade complexa, exige, para o bom exercício da profissão análise, supervisão e muito estudo. Mesmo com isso, estaremos sujeitos às Leis de nosso País, de nosso Conselho, de nossa época.

Inteiramente, o ser não é livre, e, talvez, surja daí um grande sofrimento. Estamos presos aos nossos condicionamentos, à nossa história, à cultura, à nossa época presente, à nossa criação e educação, aos nossos medos, às nossas carências e faltas, aos nossos desejos, às nossas crenças, à vida, à uma infinitude de questões. Liberdade impõe responsabilidade, e o preço que se paga nem sempre é o que se espera pagar.

Qual será a liberdade que está sendo tirada? A do profissional que não pode impôr um conceito ultrapassado? A do homem ou mulher gay que se acha doente e quer um psicólogo que o trate? O da mãe que resolver seus problemas “curando” seu filho gay?

O que para ser claro é o jogo de interesses das políticas religiosas que estão tão presentes em nossa cultura ocidental e que tenta puxar o ser humano para um lado obscuro da vida em que os trocadilhos de palavras são mais importantes que o bem-estar e a evolução da consciência.

O povo brasileiro parece estar passando por uma importante crise de cura e transformação!

Por Nelson Matheus.

Abaixo, segue o vídeo de uma entrevista feita sobre o tema pela Globo News com o presidente do Conselho Federal de Psicologia. confira:

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