Você anota seus sonhos?

Julie Heffernan - burning heaven
Imagem: “Céu em chamas”, de Julie Heffernan

Os sonhos e seus significados sempre fizeram parte do imaginário de vários povos do passado. Em algumas aldeias na África, por exemplo, o xamã, logo cedo, se reunia com todos os membros da comunidade e escutava suas experiências durante a noite. Esse hábito se repete em várias culturas e muitos consideram o sonho como mensagens vindas do mundo dos deuses, sinais cifrados, etc.

Na Psicologia, algumas escolas atribuem ao sonho uma função peculiar, a de comunicar nosso mundo interno. Após a descoberta do Inconsciente, a contra parte do consciente, a estrutura psíquica humana passou a fazer sentido por meio de imagens, palavras não ditas, sintomas.

Para Carl Jung, famoso psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica,  é graças ao sonho que não enlouquecemos. Ele nos permite descarregar emoções não assimiladas em nosso cotidiano, assim como resolvermos conflitos internos e sermos guiados à nossa realização interior.

Desenvolvi, em 2012, um estudo científico com pacientes em depressão e a análise do sonho, e pude observar que o trabalho com os sonhos e seus conteúdos permitem à energia psíquica, que antes estava represada, voltar a circular e, com isso, o paciente começa a apresentar um avanço em seu quadro e desenvolvimento psicológico. É claro que a pesquisa foi um ponto inicial de um estudo que almeja ser maior, mas nos aponta a importância desse fenômeno que nos acomete em quase todas as noites.

Os sonhos apresentam-se como um texto, e nessa linguagem, ora falada ora imagética, os conteúdos internos vão se conduzindo de uma forma a melhor comunicar a sua intenção. Sim! Através de seus estudos, e com o contato com professores de diversas culturas e tradições, como por meio de sua vivência interior, Jung percebeu que no centro da psique existe uma força instintiva que pulsa e busca o equilíbrio de tudo. Essa mesma forma, que ele chama de Self, dirige-se constantemente à inteireza do indivíduo.

Infelizmente, nem sempre conseguimos interpretar nossos próprios sonhos, porque é como tentar olhar para as nossas costas. Não é uma questão de interpretar o significado de uma imagem isolada, por exemplo, mas, sim, de entrar no seu símbolo, escutar a sua mensagem e assimilá-la.

Anotar e/ou desenhar os sonhos poderá ajudar na melhor compreensão de você mesmo, descobrindo, talvez, questões que você desconhecia de seu interior.

Através dos sonhos, este aspecto profundo do nosso ser nos impulsiona à estados de maior equilíbrio e saúde. É importante ressaltar que eles jamais devem ser interpretados ao pé da letra, contudo o sonho não tem intenção de esconder seu conteúdo. Ele se revela por meio de uma vivência simbólica.

O Talmude é uma compilação de ensinamentos antigos considerados sagrados para os judeus. No Talmude há uma máxima que diz que o sonho é a sua própria interpretação. Ele é a totalidade de si próprio. E se julgarmos que há alguma coisa por trás ou que algo foi escondido, não há dúvida de que não o entendemos. Portanto, antes de mais nada, quando abordo um sonho, procuro ser constantemente provocado com o dizer de Jung: “Não entendo uma palavra do que está aqui.” Só assim poderei me aproximar de seu conteúdo livre de julgamento. É quase um ato sagrado.

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O sonho é uma das ferramentas que o Universo nos disponibiliza para o retorno ao centro de nós mesmos. Neste ofício, por meio da Análise Psicológica, vamos galgando os caminhos revelados, circulando, subindo, atravessando, na constante busca de tornarmo-nos quem nós verdadeiramente somos!

Por Nelson Matheus.

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