Quando o assunto for seu interior, vá com calma!

Por Nelson Matheus – Psicólogo [Psicanálise] e Professional Coach

Post Luz Azul 48

SOBRE A PRESSA ATUAL EM RESOLVER TUDO (INCLUSIVE A SI MESMO)

Não é de hoje que estamos sempre correndo atrás de algo, seja em sermos algo melhor ou em termos algo a mais. Não há nada errado nisso, enxergo, porém essa pressa, essa ansiedade por resolver logo, apressadamente qualquer coisa, me fez refletir sobre para quais caminhos estamos indo. Será que estamos realmente indo? E para onde?

E por falar nessa rapidez, que dizem se tratar da pós-modernidade que vivemos, onde fica o contato consigo mesmo, com as reflexões sobre a vida (!), sobre as relações, sobre o Cósmico e etc? Será por isso que me deparo freneticamente com pessoas em busca dos sentidos de suas vidas? É a impaciência por — de fato — parar, se escutar, se observar, leve o tempo que for, que tem afastado o ser humano daquilo que lhe é caro e essencial, ou seja, ele mesmo?

No consultório, como Psicólogo de orientação psicanalítica, tenho visto este mesmo tema surgir diversas vezes. Tanto pelo discurso daqueles que me procuram e já querem partir, ao perguntarem “quanto tempo dura (?), dois meses (?)”, apressadamente, buscando um método que resolva seus problemas imediatamente — como se fosse uma pílula mágica –, tanto quanto também no dia a dia pela correria — no trânsito e no shoppings center — pela falta de conexão com o momento presente, pela não-resolução e assimilação do passado, e pela falta de desejo de um futuro promissor.

O grande problema de não se olhar para o passado, é o risco, interminável, de ficar repetindo-o, em ciclos, com novas formas e cores. O futuro será o mesmo, inclusive, sem esse entendimento.

Em nossa época, as pessoas capazes, produtivas e eficientes, se veem frente a um vazio. Em que, no movimento do mundo de ter — e logo –, sejam objetivos ou o “ter que”, se esquecem de ser. E este ser só é descoberto, aos poucos, em meio à tudo que se achou que foi, em meio à tudo que esperava que fosse, diante das palavras ditas e caladas e do encontro com o próprio desejo. A consequência desse afastamento do ser é uma alienação no existir.

Me parece que começar algo novo e não terminar se tornou o padrão normativo. Assim como fazer inúmeras coisas, ter inúmeras atividades, e não saber escolher. O que você quer ser? Tudo. E neste tudo abraçar, só se esquece de si mesmo, do que é prioritário, do que realmente importa, do seu caminho individual — que é só seu, e que só é descoberto com paciência, e com o tempo.

Minha pergunta para você é: quando foi a última vez que você decidiu parar para cuidar de si mesmo, se escutar ou simplesmente desacelerar — sem pressa, sem querer que isso acabe logo?

A intimidade consigo mesmo, que, por exemplo, uma psicanálise bem orientada conduz, vai totalmente de encontro com este ritmo frenético da atualidade. Porém, se coloca também como uma possibilidade de fazer com que entremos em contato com nossos sentimentos e possamos relembrar as partes esquecidas de nosso ser.

No coaching, quando acompanho o desenvolvimento profissional de meus clientes, o processo é bem diferente, porquê impõe a intimação de que a falta de tempo é um sinônimo de falta de prioridade, consequência de uma falta de autoconhecimento.

Não há escapatória quando falamos da necessidade de resolver nossa existência e colocarmos nossos temas internos em ordem. Haverá sempre um chamado parar desacelerarmos e assumirmos, aos poucos, conforme nos tornamos mais e mais familiarizados com nosso ser, as nossas verdades mutáveis, o nosso tempo — que é totalmente diferente do tempo imposto socialmente -, e o que realmente queremos na vida.

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